Tribunal colombiano liberta ex-presidente Alvaro Uribe de prisão domiciliar

O ex-presidente Alvaro Uribe está sendo investigado por adulteração de testemunhas e é acusado de ter ligações com grupos paramilitares. Ele estava em prisão domiciliar desde agosto.

Uribe é amplamente creditado por liderar uma ofensiva militar contra os rebeldes das FARC, que seus apoiadores dizem que os levou à mesa de negociações, levando à assinatura do acordo de paz de 2016. (Arquivo)

O ex-presidente da Colômbia Alvaro Uribe foi libertado da prisão domiciliar no sábado. Ele esteve sob prisão preventiva enquanto é investigado por possível adulteração de testemunhas.

Uribe é o primeiro ex-presidente colombiano a ser colocado em prisão domiciliar e seu caso dividiu os colombianos, reabrindo as feridas da longa luta armada no país e as atuais tentativas de fazer um acordo de paz funcionar.

Desde 1958, o conflito armado na Colômbia deixou mais de 260.000 mortos e mais de 7 milhões desabrigados, de acordo com o Centro Nacional de Memória Histórica do governo.

Uribe é amplamente creditado por liderar uma ofensiva militar contra os rebeldes das FARC, que seus apoiadores dizem que os levou à mesa de negociações, levando à assinatura do acordo de paz de 2016.

Mas o ex-presidente também é assombrado por acusações de abusos dos direitos humanos. Durante sua presidência, oficiais militares teriam matado milhares de camponeses pobres e os considerado guerrilheiros para aumentar a contagem de corpos e receber bônus.

Durante anos, Uribe foi acusado de ter ligações com paramilitares e o caso deste ano contra o ex-presidente foi desencadeado pelo testemunho de ex-membros paramilitares. Os ex-combatentes, que foram entrevistados pelo deputado esquerdista Ivan Cepeda na prisão, acusaram Uribe de ajudar a estabelecer um grupo paramilitar em meados da década de 1990.

Uma decisão sobre o procedimento

Como resultado, a Suprema Corte colombiana ordenou a detenção de Uribe em agosto, uma decisão que chocou os colombianos e desencadeou protestos a favor e contra ela.

Em uma decisão de 1.554 páginas, o tribunal decidiu que havia ampla evidência mostrando que Uribe havia pressionado ex-paramilitares a se retratarem de declarações prejudiciais contra ele, o que equivalia a adulteração de testemunhas.

Mas, quando Uribe renunciou ao cargo de senador no legislativo, a Suprema Corte renunciou ao controle do caso, determinando que Uribe deveria ser julgado como cidadão comum, e o entregou ao gabinete do promotor-chefe.

A juíza municipal Clara Salcedo decidiu que o novo quadro jurídico do caso de Uribe não exigia sua detenção durante a fase de investigação, pois ainda não havia sido acusado de nenhum crime.

Embora a decisão possa ser apelada, Uribe era elegível para libertação imediata. O político geralmente franco não comentou a decisão, exceto por um post no Twitter em que escreveu Graças a Deus.

Uribe até agora negou essas acusações, dizendo que elas fazem parte de um complô contra ele.