Egito: Líder da Irmandade Muçulmana recebe prisão perpétua sob acusações de terrorismo

Acredita-se que Mahmoud Ezzat, um dos principais líderes da Irmandade Muçulmana, tenha incitado a violência após a destituição do presidente egípcio Mohamed Morsi em 2013.

Uma imagem do líder da Irmandade Muçulmana egípcia, Mahmoud Ezzat, de outubro de 2010. (Fonte DW)

Na quinta-feira, um tribunal egípcio sentenciou o líder da Irmandade Muçulmana, de 76 anos, Mahmoud Ezzat, à prisão perpétua sob acusações de terrorismo, de acordo com o jornal estatal Al-Ahram. Ezzat foi condenado por acusações de terrorismo relacionadas à violência depois que os militares expulsaram o ex-presidente egípcio de alinhamento islâmico Mohamed Morsi em julho de 2013.

Ezzat foi preso no Cairo em agosto do ano passado, com a polícia supostamente encontrando um software criptografado em seu apartamento, que ele usava para se comunicar com outros membros da Irmandade tanto no país quanto no exterior. As autoridades anteriormente acreditavam que ele havia fugido do país.

Do que Ezzat foi acusado?

Ezzat foi considerado culpado de fornecer armas durante confrontos entre partidários da Irmandade Muçulmana e oponentes. Ele também foi acusado de ter um papel no assassinato de 2015 do ex-procurador-geral Hisham Barakat, um inimigo do movimento Irmandade Muçulmana.

O advogado de Ezzat ainda não comentou a sentença. A Irmandade disse anteriormente que as autoridades egípcias estão perseguindo falsas acusações políticas contra Ezzat.

Ezzat já havia sido condenado à morte e à prisão perpétua à revelia em 2015 e, desde então, enfrentou um novo julgamento após sua prisão em agosto.

Ele serviu como líder interino da Irmandade Muçulmana no Egito de 2013 até sua prisão no ano passado. A Irmandade, fundada por Hassan al-Banna na cidade egípcia de Ismailia em 1928, é considerada uma organização terrorista pelo governo egípcio.

Como o governo do Egito reprimiu a Irmandade Muçulmana?

O general do exército Abdel Fatah el-Sissi, que serviu como presidente do Egito desde 2014, implementou uma variedade de métodos para reprimir os apoiadores da Irmandade Muçulmana. Em agosto de 2013, as forças de segurança e militares sob a liderança de el-Sissi mataram centenas de manifestantes pró-Morsi e da Irmandade Muçulmana no distrito de Nasr, no Cairo, que desde então foi denominado Massacre de Raaba.

Juízes egípcios emitiram centenas de sentenças de morte para membros da Irmandade Muçulmana nos últimos anos. O governo egípcio também é suspeito de usar desaparecimentos forçados para reprimir a oposição.